HOJE O ESCURO VAI ATRASAR PARA QUE POSSAMOS CONVERSAR

HOJE O ESCURO VAI ATRASAR PARA QUE POSSAMOS CONVERSAR

Em seu primeiro espetáculo infantil, Hoje O Escuro Vai Atrasar Para Que Possamos Conversar, o Grupo XIX de Teatro teve o processo criativo inspirado no romance De Repente, Nas Profundezas do Bosque, do escritor israelense Amós Oz.  Após convite para apresentação em um dos maiores festivais de teatro do país, o “Mirada” (SP), além da boa repercussão de público e crítica na temporada de estreia no CCBB-SP – que rendeu 7 indicações aos prêmios FEMSA de teatro infanto-juvenil e Aplauso Brasil de melhor espetáculo infantil -, o grupo chega agora a Belo Horizonte, no dia 30 de novembro (sexta), no Centro Cultural Banco do Brasil – Belo Horizonte, onde segue em cartaz até 23 de dezembro, sempre às sextas e segundas, às 16h, sábados e domingos, às 11h e 16h. Ingressos a R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada) na bilheteria do teatro ou pelo site Eventim. Duração: 60 minutos.Classificação etária: Livre. O elenco conta com a participação de Janaina LeiteJuliana SanchesRodolfo AmorimRonaldo Serruya e Tarita Souza.

 

Dramaturgia de Ronaldo Serruya e direção de Luiz Fernando Marques e Rodolfo Amorim, a peça se passa em um triste vilarejo onde não vivem mais animais, nem domésticos e nem silvestres. Algo muito estranho aconteceu no passado que provocou a fuga dos bichinhos e os transformou em seres quase mitológicos, lembrados apenas nas aulas da professora Rafaela.

 

Nesse lugar misterioso, vivem os colegas Santi, Clara e Luna, que, depois de sofrer bullying de seus colegas também desapareceu. Desconfiados de que Luna teria sido raptada pelo Espírito do “não-sei-o-quê” do bosque, Santi e Clara partem floresta a dentro em busca da amiga.

 

A encenação apresenta ao público delicados temas discutidos pela obra de Amós Oz, como os efeitos da discriminação e do tratamento indesejado, como o bullying isola as pessoas e a consciência de que o “outro” também tem medos, fragilidades e inseguranças. A ideia é fazer com que as crianças entendam a alteridade como uma extensão do eu, desconstruir o processo vicioso de desqualificação de um indivíduo por causa de suas diferenças e mostrar que as pessoas formam juntas as conexões do tecido social de uma comunidade.

 

“Queríamos discutir como desmontar uma estrutura normativa que permite a perpetuação desse mecanismo de opressão social na escola. Eu também me inspirei na minha própria história, pois fui vítima de bullying e vivenciei esse sistema opressor. E, na época, não havia uma estrutura para discutir isso, em nenhuma instância. O bullying era tratado como algo normalizado dentro daquele universo”, comenta o autor Ronaldo Serruya.

 

PROCESSO CRIATIVO

Quando o Grupo XIX decidiu montar seu primeiro espetáculo infantil, os artistas se reuniram para elencar quais temas gostariam de abordar. A fábula de Amós Oz, cuja literatura adulta já era discutida na companhia, logo veio à tona quando eles escolheram tratar do respeito às diferenças. “Outra coisa bacana é que, embora o autor tenha classificado o livro como uma história infantojuvenil, não faz concessões para tornar sua linguagem mais simples. Isso é muito legal porque mostra que não precisamos menosprezar o poder de ‘metaforização’ do imaginário infantil. A literatura tem muitas narrativas poéticas que permitem que criança possa exercitar seu poder de imaginação”, fala o dramaturgo.

 

Escolhido o texto que inspiraria à encenação, o desafio passou a ser como os artistas usariam a linguagem desenvolvida pela companhia ao longo de seus 16 anos para montar uma peça infantil. “Pensamos em transformar o espetáculo em uma experiência itinerante, de modo que ela tivesse uma relação com o espaço. Chegamos a ideia de convidar a plateia para um passeio fora do teatro e dentro de sua arquitetura, passando pelo palco, pelos urdimentos, pelas coxias. Outra questão foi a interatividade, ou seja, a tentativa de promover o diálogo direto com as crianças, o que fazemos sempre em nossas peças adultas”, comenta Luiz Fernando Marques.

 

Nessa experiência teatral imersiva, o cenário funcionará como uma instalação inspirada no trabalho da artista mineira Lygia Clark, usando estímulos com o escuro, claro, barulhos e diferentes texturas para provocar os sentidos da plateia. O bosque da história será construído com adereços pela ocupação de cada um dos espectadores.

 

“A encenação brinca um pouco com essa busca pelos animais. Para chegar a esse ponto, eles fazem um passeio pelos corredores, escadas e algumas salas do CCBB. Em um primeiro momento as crianças assistem à peça com um cenário pintado e têm uma experiência. Dentro do bosque, têm outra experiência. Eles podem interagir com os elementos aos quais eles assistiram antes e vivem uma inversão de ponto de vista”, acrescenta o diretor Rodolfo Amorim.

 

A paisagem sonora da peça, pensada pela diretora musical Tarita Sousa, também contribuirá para essa experiência. Os sons da natureza e dos bichos serão recriados com materiais naturais, como paus de chuva do cerrado brasileiro, folhas secas e de vários tipos de vegetação, bambus e gravetos, combinados com teclado e violão.

 

Já os figurinos de Juliana Sanches são diferentes quando a história se passa na aldeia e na floresta. No primeiro lugar, os personagens usam roupas que rementem à uma representação tradicional da infância; no segundo, trajes que se transformam, com sobreposições quebrando os paradigmas do masculino e feminino.

 

SOBRE RONALDO SERRUYA

Formado em artes cênicas pela CAL – Casa das Artes de Laranjeiras e em jornalismo pela PUC-Rio, Ronaldo Serruya integrou a Cia. Teatral do Movimento, entre 1997 e 2004. Atualmente, estuda letras na Universidade de São Paulo e é ator e dramaturgo no Grupo XIX de Teatro e do Teatro Kunyn. Orienta o núcleo de pesquisa “De Viés”, sobre a questão de gênero no Brasil.

 

Alguns dos espetáculos dirigidos e escritos por Serruya são “A última noite do Le Corselet”; “O Inventário das sensações perdidas”, com Teatro do Fubá; “Vila Clarice”, baseado no universo de Clarice Lispector, “Cartas para não mandar”, “Pactos de amor e morte”, a partir de contos de Nelson Rodrigues; “Retalhos para um recital”, inspirado na obra de Adélia Prado; e “Da arte de viver acima do abismo”, baseado na obra de Roland Barthes.

 

É autor do espetáculo “Desmesura”, do Teatro Kunyn, eleito obra mais transgressora no 25º Festival MiX Brasil da Diversidade. Em 2017 integrou o Núcleo de Dramaturgia do SESI/ British Council.

 

SOBRE O GRUPO XIX DE TEATRO 

Desde 2001 o Grupo XIX de Teatro desenvolve a pesquisa autoral que deu origem aos espetáculos HysteriaHygieneArrufosMarcha Para Zenturo (em parceria com o Grupo Espanca), Nada Aconteceu, Tudo Acontece e Tudo Está AcontecendoEstrada do Sul (em parceria com o Teatro Dell’Argine) e Teorema 21. A exploração de espaços não-convencionais, a criação colaborativa e a relação direta com o público nas encenações são elementos constitutivos dessa trajetória.

 

Em 2005 o grupo foi indicado ao Prêmio Shell de Teatro na categoria especial pela intervenção artística na Vila Maria Zélia. Ao longo de sua trajetória acumula entre prêmios e indicações mais de 15 menções nos principais prêmios do país: Shell, APCA, Cooperativa Paulista de Teatro, Bravo!, Qualidade Brasil entre outros.

 

O grupo já percorreu no exterior 21 cidades em 5 países (Europa: Portugal, Inglaterra, Itália e França; África: Cabo Verde). Em 2005, o grupo cumpriu uma temporada de dois meses de Hysteria por 8 cidades francesas por ocasião do “L’année du Brésil en France”. Em junho de 2008 a peça cumpriu temporada no renomado Barbican Center de Londres na Inglaterra e, em 2009 o grupo foi convidado pelo Contact de Manchester para dirigir o espetáculo de formatura da instituição.

 

Em 2012, o Grupo participou da mostra São Palco, idealizada pelo O Teatrão, em Coimbra, Portugal e participou do Festival La scenna dell’incontro, em Bologna, Itália em parceria com o ITC e o Teatro dell’Arginne. Em 2013 o grupo participou do Ano do Brasil em Portugal por 5 cidades.

 

Desde de 2004, o grupo realiza residência artística na Vila Maria Zélia na Zona Leste de São Paulo. A “Vila” é hoje um espaço de pesquisa, difusão e formação que abriga projetos como os Núcleos de Pesquisa que acolhem anualmente cerca de cem artistas, além de diversos espetáculos e oficinas. Com esta ação contínua o grupo tem conseguido criar uma relação com o público da cidade de São Paulo que vai além de suas próprias peças e transborda o meio teatral fazendo parcerias com as áreas do cinema, das artes plásticas, dança, fotografia, arquitetura e história. Este trabalho só é possível graças aos subsídios públicos com os quais o grupo vem contando de forma intermitente em sua trajetória.

 

Em 2017, o grupo contou com o apoio da Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo para o projeto A Estufa e Cidade, resultando na montagem do espetáculo-performance itinerante Intervenção Dalloway: Rio dos Malefícios do Diabo.

 

O Grupo XIX de Teatro é finalista ao Prêmio Shell 2017 na categoria Inovação pela manutenção da sede na Vila Maria Zélia, na Zona Leste, e parceria com artistas de áreas diversas.

 

Em 2018, o grupo estreia o espetáculo “Hoje o Escuro vai Atrasar Para Que Possamos Conversar” que cumpriu temporada com boa repercussão de crítica e público, no CCBB-SP, rendendo à companhia 7 indicações ao Prêmio FEMSA de teatro infanto-juvenil e indicação ao Prêmio Aplauso Brasil de melhor espetáculo infantil. A importância temática e a relevância da linguagem explorada na peça trouxeram também o convite para o MIRADA, o mais importante festival de artes cênicas do Brasil, realizado pelo SESC.

 

FICHA TÉCNICA

Criação: Grupo XIX de Teatro. Direção: Luiz Fernando Marques e Rodolfo Amorim. Dramaturgia: Ronaldo Serruya. Atores-criadores: Janaina Leite, Juliana Sanches, Ronaldo Serruya, Rodolfo Amorim, Tarita de Souza. Trilha Sonora: Tarita de Souza.Figurinos: Juliana Sanches. Cenário: Luiz Fernando Marques e Rodolfo Amorim. Adereços: Felipe Cruz (Bosque) e Juliana Sanches (Aldeia). Cenotécnico: Zé Valdir. Costureiro: Otávio Matias. Produção: Cristiani Zonzini e Gabi Costa. Desenhos material gráfico: Ligia Yamaguti. Material gráfico: Rodrigo Pocidônio. Fotos, vídeos, mídias sociais e produção visual: Jonatas Marques. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli.

 

SERVIÇO

“Hoje O Escuro Vai Atrasar Para Que Possamos Conversar”

De 30 de novembro a 23 de dezembro

Sextas e segundas – 16h

Sábados e domingos – 11h e 16h

Duração: 60 minutos.

Classificação etária: Livre.

Ingressos: R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada).

Vendas: na bilheteria do CCBB BH – quarta a segunda, das 9h às 21h, ou pelo site Eventim. Informações: 3431 9503

 

Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte

Praça da Liberdade, 450 – Funcionários – Belo Horizonte – MG – CEP 30140-010

Telefone: (31) 3431-9400

Site: bb.com.br/cultura – Facebook: fb.com/ccbb.bh – Twitter: twitter.com/ccbb_bh/

Instagram: instagram.com/ccbbbh

SAC 0800 729 0722 – Ouvidoria BB 0800 729 5678 – Deficientes Auditivos ou de Fala 0800 729 0088

 

Data

10/12/18

Custo

R$30 (inteira) / R$15 (meia)

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