5a MOSTRA DE CINEMA FEMINISTA

5a MOSTRA DE CINEMA FEMINISTA

Mostra de Cinema Feminista chega a sua 5ª edição abrindo espaço para debates sobre feminismos, gênero e masculinidades. De17 a 26 de maio o cinema do Sesc Palladium exibirá, em três sessões diárias, 82 filmes dirigidos por mulheres. A programação tem entrada gratuita e acontece entre 16 e 22 horas.

O evento apresenta ao público neste ano um discurso mais determinado e politizado. Assumindo o lugar da resistência diante do contexto atual, a Coletiva Malva – produtora e idealizadora da mostra –  nomeia a quinta edição de Mulheres Valentes.

O objetivo é dialogar e destacar as trajetórias de mulheres que marcaram e marcam a história do país, trazendo à tona a reflexão sobre a retomada da censura no cenário político nacional, bem como chamar atenção para os silenciamentos cotidianos e o aumento do número de feminicídios no Brasil. As cinco mulheres homenageadas são Sônia Guajajara, Marielle Franco, Nise da Silveira, Maria da Penha e Indianara Siqueira. Cada uma, a seu modo deu uma grande contribuição para as lutas feministas pelos direitos das mulheres.

Mirela Persichini, curadora da mostra e também responsável pela comunicação e o projeto estético, explica que esse ano foram recebidas muitas inscrições de filmes sobre o enfrentamento e o embate que as mulheres têm contra o patriarcado, o machismo, o racismo, a lgbtfobia e a luta antimanicomial. “Como essa será a 5ª edição da mostra elegemos essas cinco mulheres brasileiras que se empenharam para transformar a ordem vigente dentro dessas temáticas para serem homenageadas”, completa.

Na programação, a missão de dar visibilidade às produções cinematográficas realizadas por mulheres, uniu-se à concepção do cinema feminista como balizador das insurgências contra a misoginia, o feminicídio, a cultura do estupro, assédio e agressões aos corpos femininos, principalmente negras, trans e periféricas.

Letícia Souza também curadora e idealizadora da mostra destaca ainda a presença potente de filmes feitos por realizadoras negras. “A revelia das pesquisas alarmantes sobre a ausência de mulheres negras na direção de longas metragens no cinema nacional de grande bilheteria, que ressaltamos na mostra anterior. As diretoras negras vêm a cada ano mostrando seus trabalhos, trazendo temáticas diversificadas e se valendo do cinema para destacar as trajetórias de outras mulheres negras”, ressalta.

5ª Mostra de Cinema Feminista, portanto, coloca em debate o cinema feito por mulheres e o que esses olhares expressos por meio dos filmes podem trazer de novidade e dissidências ao panorama nacional e internacional do audiovisual. A mostra tem apoio e parceria do Sesc em Minas, que receberá a programação no Sesc Palladium.

“Esse é o terceiro ano em que o Sesc em Minas apoia a Mostra de Cinema Feminista, pela importância de um evento com programação robusta, entre exibição de filmes e debates temáticos. Todas as realizadoras são mulheres, abordando questões diversas que relacionam a mulher e os direitos civis na atualidade. O Coletivo Malva, que realiza a Mostra, faz parte de uma nova geração do pensamento do audiovisual mineiro, com intensa atuação”, comenta Janaina Cunha, Gerente de Cultura do Sesc em Minas.

Alguns destaques na programação

Na programação de abertura – que terá as sessões Sigamos juntas! (17 horas) Ditadura nunca mais! (18h10) e Nenhuma a menos (19h30) – os destaques são os filmes Minha Raiz da diretora belo-horizontina Labibe Araújo e o curta Sou MC Carol, 100% Feministacom direção Merícia Cassiano. Após a abertura, haverá uma conversa com a diretora Labibe Araújo. Ela vai partilhar um pouco sobre o processo do filme com o público.

Já no segundo dia da Mostra, serão apresentadas a sessão Anônimas, histórias não contadas (17 horas) e a sessão O clitóris não envelhece (18h20). A noite será encerrada com o longa As pastoras: vozes femininas do samba (19h50), documentário de Juliana Chagas, que mostra o cotidiano das pastoras da Escola de Samba Portela: Tia Surica, Neide, Áurea e Jane. Elas fazem o canto coral e dão leveza aos sambas.

No domingo, terceiro dia mostra, a primeira sessão do dia, com início às 17 horas, recebe A mostrinha, com filmes voltados para o público infantojuvenil, um dos destaques dessa programação é e a animação brasileira Òpárá de Òsún: quando tudo nasce com direção Pâmela Peregrino.

Ainda no domingo será exibida a sessão Torna-se mulher (18h10), e a noite será encerrada com sessão do longa chileno Zuguleaiñ: Nós falaremos da diretora Kelly Baur às 19h30.

No quarto dia da mostra, terça-feira, serão apresentadas as sessões A imagem por nós mesmas (17h20)Meu corpo meu lugar de fala (18h40), e Amabilidade pelo mundo (20 horas). Um dos destaques da última sessão deste dia é o filme Pagar 4 nunca mai$, no qual a diretora Leide Jacob conta a história de sua mãe Leide Moreira portadora de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) na luta pelo direito ao acesso a eventos culturais, sem ter que arcar com mais de um ingresso devido a sua condição de saúde e seu modo de locomoção.

No quinto dia de mostra, quarta-feira, as sessões Facistas, racistas, machistas! Não passarão! (16h20)Organizadas e Coletivas (18h20) e Maternidades contemporâneas (19h30) exibem 13 curtas, com destaque para Camelôs da diretora carioca Milena Manfredini. O curta mostra um percurso sensorial na cidade do Rio de Janeiro tendo os camelôs e artistas de rua como personagens dessa cartografia urbana na qual passado e tempo presente se atravessam.

Outro destaque é o curta Eu preciso dessas palavras escritas, da mesma diretora, o filme conta um pouco da trajetória de Arthur Bispo do Rosário.

No sexto dia da mostra, 23 de maio, será a vez das sessões Identidade nada a ver com genital (16h30) com destaque para o filmeAzul vazante da diretora paulista Julia Alquéres, que discute gênero a partir da história de uma mãe procura o filho em um leito hospitalar e encontra a filha. Já a segunda sessão (17h50) é com o longa Sapatões do Cárcere da diretora espanhola Cecilia Montagut. E encerrando a noite será exibida a sessão Aborto legal para não morrer (19h30).

No sétimo dia da mostra, 24 de maio, serão apresentadas as sessões Não foi acidente (16h40)TransViva (18h20), com destaque para o filme Lui de Denise Kelm, que trata de modo arejado as discussões contemporâneas sobre gêneros, sexualidades e feminismos, abordando-as em um contexto lúdico e poético. E às 19h30 será exibido o longa colombiano Putas ou cabeleireiras? Muito além do estigma da diretora Mónica Moya.

Após a sessão haverá a conversa com o tema Transvida, com a professora Duda Salabert e o professor de filosofia na comunidade TransEnem-BH, Raul Capistrano.

No penúltimo dia da mostra, 25 de maio, o dia começa com a sessão Lute como uma garota (16h10) com destaque para o filmeComo o sol de Hana Mahmoud. Em seguida será a sessão Mulher Selvagem (17h50), que será encerrada com o curta Mortalha de Grazie Pacheco. E a última sessão da noite será Repensando a masculinidade (19h30), que apresenta o documentário Meninos que gostam de meninas da diretora finlandesa Inka Achte.

Após a última sessão, haverá uma conversa sobre o tema Repensando a masculinidade com a participação de Gustavo Ribeiro, estudante de Direito e fundador do MEN – Machismo entre Nós, e de Miriam Gomes Alves, educadora social, graduada em Pedagogia e pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Educação.  A conversa será mediada por Mirela Persichini.

No último dia de programação serão exibidas as sessões Não mexe comigo que não ando só (16h50)Sobre minhas mais velhas (18h10), com destaque para o filme Motriz de Tais Amordivino que conta a história de mãe e filha que vivem longe uma da outra, mas apesar disso, encontram no amor, a força motriz que as aproximam. E a última sessão chamada Mulheres Valentes (20 horas)será encerrada com o curta Blessy das diretoras Susana González, Sílvia Cepero e Carme Gomila, o filme discute o tráfico de seres humanos.

Inscrições para a 5ª Mostra de Cinema Feminista

Esse ano o número de filmes nacionais contemporâneos contemplados diminuiu. Para Rita Boechat, uma das idealizadoras e curadoras da mostra, a redução do quantitativo é um reflexo do momento político no país.

“A queda no número de inscrição e a consequentemente a diminuição na exibição de filmes nacionais na Mostra é reflexo dos golpismos que estamos sofrendo há cerca de três anos. As mostras de cinema contemporâneas refletem, em sua janela de dois anos de produção do cinema nacional, aquilo que o país e os agrupamentos sociais vivem e estão reproduzindo e além disso, os possíveis resultados da falta de incentivo e políticas culturais no setor”, argumenta.

Além da diminuição dos filmes nacionais na mostra, a Coletiva Malva também lamenta a suspensão do Prêmio Exibe Minas um dos principais instrumentos de manutenção e fomento de mostras mineiras.

“Por meio da Secretaria do Estado de Cultura o Exibe Minas foi um programa que incentivou a cadeia produtiva com a premiação de festivais, mostras e cineclubes. O prêmio era um incentivo e uma forma de fomentar e estimular projetos que pretendem uma visibilidade de temáticas que não são contempladas no circuito comercial. O retorno para o cidadão é certo. Infelizmente, no finalzinho do ano passado, o governo do Estado cancelou o pagamento do prêmio, inviabilizando uma série de atividades que visam a formação do público”, analisa Daniela Pimentel também idealizadora e curadora da mostra.

Sobre a Mostra de Cinema Feminista

A Mostra de Cinema Feminista surge em 2015 juntamente ao evento insurgente de mulheres na cidade o Diversas: Feminismo, Arte e Resistência. Procurando dar visibilidade às produções de diretoras mulheres, no que tange o cenário restrito desse segmento nos festivais, mostras e outros espaços institucionais, a Mostra criou sua cara e seu lugar na cidade.

Tendo o feminismo como balizador de suas ações a Coletiva Malva defende que existem diversos feminismos em curso, e que de forma interseccional se relacionam com as realidades e situações que cada mulher enfrenta. Segundo as realizadoras, a postura feminista da coletiva busca a igualdade de oportunidades e reconhecimento no setor audiovisual, priorizando o fomento e a visibilidade de trabalhos dirigidos por mulheres.

De 2015 para cá, a mostra superou em cada edição o número de filmes exibidos, de 69 filmes na última edição para 82 este ano, dando um salto em 2018 ao aumentar o número de inscrições que no ano anterior foi de 122 inscrições para mais de 400 filmes recebidos. A mostra já se consagra no calendário da cidade nas comemorações e resistências do dia da mulher, levando 840 pessoas a sala de cinema em sua última edição.

Sobre a Coletiva Malva

A Coletiva Malva surge com o propósito de pensar o cinema e suas implicações, uma vez que as produtoras e curadoras enxergam o cinema como instrumento propagador das diversidades, como materializador da disputa imagética e como dispositivo de reflexão e embate a práticas que se pretendem normatizantes e universalistas.

A Coletiva Malva é formada por quatro mulheres que atuam em áreas distintas entre si mas correlacionadas ao cinema, são elas: a historiadora Letícia Souza, a cientista social Rita Boechat, a comunicadora Mirela Persichini e a psicóloga Daniela Pimentel. Juntas elas refletem sobre o cinema e suas implicações, como dispositivo para se pensar sobre a sociedade.

Dentre os trabalhos realizados pela Coletiva destacam-se: a Mostra Cine-Rua Feminista, que exibiu curtas experimentais contemporâneos dirigidos por mulheres na rua Guaicurus em BH durante a Virada Cultural de 2016. Além de um recorte da Mostra de Cinema Feminista exibido em Florianópolis em 2017 no Centro Integrado de Cultura (CIC).

Algumas produções e direções destacando-se ‘Lírios não nascem da lei’ de Fabiana Leite compondo arte gráfica, produção e still do longa, e a direção, fotografia e montagem do clipe ‘Poesia Armada’ da cantora Elisa de Senna.

Nesse caminho algumas parcerias foram também firmadas, dentre essas o Projeto Cinema dos Quilombos, com o Festival de Arte Negra (FAN), com o Museu da Imagem e do Som (MIS) e o Projeto Cine de Rolê.

Um recado da curadoria

Em 2017, nos perguntamos o que estávamos de fato fazendo. O que nos movia? Ao que nos identificávamos? O que era sagrado para nós? De que forma habitávamos este mundo? Acreditamos responder em conjunto às obras a dimensão do que ainda estamos inventando.

Fazemos parte de uma rede amplificada de vozes de mulheres que cada vez mais se autorizam a discorrerem de diversas formas como nos mostramos, como nos olhamos, como nos sentimos. Composições da mulher por mulher é conectar-se às memórias, ao corpo, à imagem de si.

No processo de curadoria nos colocamos à disposição de olhares e cosmologias que por mais distantes, nos são familiares. Para além de pensar o status da mulher no mundo contemporâneo, priorizamos nos conectar às linguagens perpetradas pelas diretoras na viabilização do que entendemos como, de fato, expressões totais daquilo que vivemos como cinema. Esperamos atingir a pública da mesma forma como fomos afetadas pelo conteúdo dos filmes escolhidos.

Agradecemos a todas as realizadoras por essa vivência!

SERVIÇO

 

5ª Mostra de Cinema Feminista

 

Quando: 17 a 26 de maio de 2019

Onde: Sesc Palladium – Avenida Augusto de Lima, 420, Centro

Horários das sessões de 16 horas até às 22 horas (consultar detalhes na programação)

Entrada Franca

Data

20/05/19

Custo

GRATUITO

Localização

Sesc Palladium
Avenida Augusto de Lima, 420, 30190-001 Belo Horizonte
Categoria
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