2o. FESTCURTASBH

2o. FESTCURTASBH

O Cinema Negro está no foco da temática curatorial da 20º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte – FESTCURTASBH. O evento, promovido pela Fundação Clóvis Salgado, será realizado de 10 a 19 de agosto, no Cine Humberto Mauro, na Sala Juvenal Dias e no jardim interno do Palácio das Artes. Além das sessões de cinema, a programação do Festival contará com seminário, oficinas e show. Ao longo de dez dias, o público terá acesso a uma amostra representativa da atual produção cinematográfica nacional e internacional em curta-metragem.

Em 2018, o Festival exibirá 138 filmes, de 70 países e doze estados brasileiros, distribuídos ao longo de mais de 65 sessões. A 20ª edição do FESTCURTASBH recebeu 2.518 inscrições, sendo 405 brasileiras e 2.113 estrangeiras. Toda a programação é gratuita. Informações sobre os filmes e programação completa estão disponíveis no site oficial: festivaldecurtasbh.com.br.

A exemplo das edições anteriores, o evento busca valorizar a produção curta-metragista em seus diversos contextos e abordagens, possibilitando reflexões sobre a contemporaneidade. O Festival permite ao público acompanhar como as produções têm expressado de forma inquieta e inventiva os processos históricos, urgentes e emergentes.

Ana Siqueira, coordenadora de Programação e Curadoria do Festival, destaca a importância da temática e como ela será tratada no evento. “Com a fundamental participação do curador e crítico Heitor Augusto, o FESTCURTASBH volta seu olhar tanto para a pujante produção recente de cineastas negras e negros, quanto para a história dessa produção, largamente desconhecida e vítima da invisibilização que tem tradicionalmente acometido as diversas expressões artísticas e culturais da população negra no Brasil”. A coordenadora ressalta ainda quais reflexões a organização espera provocar no público a partir dos filmes exibidos nessa edição. “Desejamos que o público tenha acesso a essa filmografia, e às discussões em torno dela, nas sessões, seminário e debates, permitindo o engajamento em torno do cinema negro de forma mais complexa. Dessa forma, buscamos contribuir para se pensar como esses trabalhos são realizados estética e politicamente, trazendo uma série de implicações para nosso olhar, nossa forma de perceber os filmes, além dos necessários questionamentos de como a história do cinema é construída, nunca de forma neutra, sempre atravessada pelos diversos processos políticos e sociais em curso”.

MOSTRAS ESPECIAIS

Em 2018, o FESTCURTASBH apresentará três mostras especiais que se dedicam ao Cinema Negro. A primeira, voltada para a produção brasileira, com curadoria do pesquisador e crítico paulista Heitor Augusto, é “Cinema Negro: Capítulos de uma História Fragmentada”. A seleção, que está dividida em cinco programas (Família, Genocídio, Raízes, Diáspora e Corpo), reunirá 25 curtas realizados entre 1973 e 2018, a fim de esboçar uma possível árvore genealógica do cinema negro no Brasil. Cada programa possui uma articulação interna própria, explicitada nas palavras do curador da mostra:

Família é o programa mais narrativo dos cinco e abre com “Aquém das Nuvens” (2010), um filme doce sobre um casal negro que ainda se ama e se adora, mesmo depois de tantos anos de convivência. “O Som do Silêncio” (2017) tangencia o tema da masculinidade negra na paternidade. “Deus” (2016) é uma ficção híbrida que esteticamente habita o intervalo entre aridez social e ludicidade. “O Dia de Jerusa” (2014) apresenta um belo e improvável encontro entre uma senhora solitária e uma recenseadora. O programa se encerra com “Quintal” (2015), que implode categorias, marcações e expectativas, contribuindo indiretamente para a amplitude da discussão acerca do Cinema Negro.

Genocídio é o programa mais duro e dolorido, na avaliação do curador. O curta “Jonas, Só Mais Um” (2008) nos faz relembrar do assassinato do microempresário Jonas Eduardo Santos de Souza. “Dona Sônia Pediu uma Arma a Seu Vizinho Alcides” (2014) nos aproxima de uma mãe – católica fervorosa – que reage à morte violenta do filho. “Chico” (2016) parte de uma estética que parece dialogar com o favela movie para, por fim, transbordar em um lúdico que oferece esperanças. “Preto” (2015) constrói um universo de imagens que, organizadas por uma montagem cuidadosa, nos convida a entender a busca de um rapaz negro por sua identidade familiar e racial. Para encerrar o programa, “Número e Série” (2015), em que a inventividade infantil dá o tom.

Raízes é um programa em que são articuladas, por meio de abordagens bastante diversas, ideias acerca de passado e cultura negra brasileira, tendo o samba como uma expressão destacada. A abertura é feita em “Dia de Alforria” (1981), documentário que se alimenta da força da oratória do compositor Aniceto do Império, que traz em sua música uma memória racial vívida. “Para se Contar uma História” (2013) funciona como registro da resistência das mulheres negras na comunidade quilombola Santiago do Iguape (BA). “Gurufim na Mangueira” (2000) acompanha um enterro, com especial atenção ao místico e à permanência. Para encerrar o programa, “Rainha” (2016), filme ao mesmo tempo familiar e estranho, nos aproxima e distancia da preparação de uma aspirante a rainha da bateria.

Diáspora apresenta curtas que aspiram a um diálogo com o continente africano, seja com as reminiscências de um passado imemorial, seja por meio de atores do presente. “Um Poema para Quenum” (2008) faz uma conexão poética entre a produção de excessos no Brasil e a obra do escultor beninense Gérard Quenum. “Pontes sobre Abismos” (2017) combina diferentes procedimentos de encenação, distribuindo as imagens captadas em três diferentes telas. “La Santa Cena” (2015), documentário filmado em Cuba, observa com sobriedade a presença do sagrado no cotidiano de uma família negra através de um ritual alimentar. “Merê” (2017) recupera a atuação determinante de mulheres negras à frente de terreiros de candomblé Jeje Mahi. “Travessia” (2017) é um documentário sobre a imagem ausente, que utiliza as fotografias de pessoas negras no século 19 e começo do 20 e fotos posadas feitas pelo próprio curta. Para encerrar o programa, “Eu Tenho a Palavra” (2010) estabelece reminiscências linguísticas do umbundo no português rural falado numa cidade do interior de Minas Gerais.

Corpo reúne filmes em que o corpo negro apresenta-se como espaço de disputa e fabulação, de dor e de invenção. “Alma no Olho” (1973) abre o programa. Em dez minutos, o curta faz uma viagem por 400 anos da história do negro que foi arrastado para o Brasil e o que ele construiu aqui. “Elekô” (2015) utiliza o encontro de mulheres negras como instância de cura e ressignificação do espaço do porto no Rio de Janeiro. “O Rito de Ismael Ivo” (2003) é marcado pela liberdade do corpo e a intervenção poética no mundo. “BR3” (2018) frequenta os aspectos interseccionais da transexualidade e se mostra uma crônica fabulada do cotidiano. Fechando o programa está “Kbela” (2015), que parte do legado estético de “Alma no Olho” e o coloca em diálogo com a potência criativa da mulher negra na contemporaneidade.

INÉDITOS

As duas outras mostras especiais do 20º FESTCURTASBH permitirão ao público conhecer a obra de duas cineastas negras de diferentes países e gerações, cujos trabalhos serão exibidos pela primeira vez no Brasil.

A Mostra Akosua Adoma Owusu apresenta nove filmes da premiada cineasta e produtora ganesa-americana, cujo trabalho circula em festivais de cinema, museus, galerias, universidades em todo o mundo desde 2005. Seus filmes abordam questões relacionadas à cultura negra, atravessadas por outros temas como feminismo, queerness e imigração.

Já a Mostra Tributo a Safi Faye será dedicada à diretora de cinema e etnóloga senegalesa, que foi a primeira realizadora negra africana a dirigir filmes e lançá-los comercialmente. Serão duas sessões especiais apresentando curtas raramente exibidos e que expressam a força do trabalho dessa pioneira, atuante desde os anos 1970. Ao longo de sua carreira, Safi Faye dirigiu vários documentários e filmes de ficção com foco na vida rural no Senegal.

Akosua Adoma Owusu estará presente para comentar a sessão e debater com o público, Já as sessões do Tributo a Safi Faye contarão com o comentário da pesquisadora e curadora Janaína Oliveira, que tem desenvolvido um importante trabalho de discussão e difusão do cinema negro no Brasil, além de ser fundadora coordenadora do FICINE – Fórum Itinerante de Cinema Negro.

MOSTRAS COMPETITIVAS E PARALELAS

As já tradicionais Mostras Competitivas Minas, Brasileira e Internacional, que trazem produções recentes nacionais e estrangeiras, premiarão os melhores curtas com prêmios em dinheiro e o Troféu Capivara. Os resultados serão anunciados no dia 19 de agosto, com a exibição dos curtas-metragens premiados no festival.

Numa seleção que propõe outras formas de articular debates em torno dos filmes contemporâneos, as mostras paralelas Atravessamentos – memória da matéria, acessos alterados; Extravasamentos – torções do artifício, maneiras de saltar e Mulher – Corpo Político abordam e friccionam temas que incidem fortemente no presente, mesmo quando recorrendo à memória: à guerra, à diáspora, à política dos corpos, às torções do artifício ou à necessidade de reparação histórica.

O público poderá conferir ainda as já aguardadas mostras Juventudes, Animação e Infantil, com curtas voltados para o público infanto-juvenil e Maldita, com filmes que exploram o horror, o terror e o humor negro e abordam de forma diferenciada diversos temas.

CABINES DE EXIBIÇÃO

Todos os filmes exibidos no FESTCURTASBH (exceto das Mostras Especiais) serão disponibilizados também em cabines individuais durante todo o evento. As cabines serão instaladas na antiga livraria do Palácio das Artes e sua utilização é gratuita.

OFICINAS E SEMINÁRIO

O 20º FESTCURTASBH realiza, ainda, várias atividades formativas. “Filme como arte colaborativa – Oficina híbrida de mídia e performance” será ministrada pela realizadora norte-americana Lynne Sachs. A “Oficina de Crítica de Cinema – Por um deslocamento do olhar”, será realizada pela pesquisadora e crítica de cinema pernambucana Carol Almeida. E o Seminário “O negro e o cinema brasileiro: Representação e Representatividade, Presenças e Ausências” terá como ministrante o crítico de cinema Heitor Augusto.

ABERTURA E PROGRAMAÇÃO ARTÍSTICA

A abertura do 20º FESTCURTASBH sexta-feira, 10 de agosto, contará com uma sessão dos filmes no Cine Humberto Mauro às 20 horas. Dialogando com a temática central do evento, a atração musical será o Bala da Palavra. A apresentação acontece às 22h30, no Jardim Interno do Palácio das Artes. Entre o fim do filme e o show, haverá discotecagem. Os ingressos tanto para a sessão de cinema quanto para o show poderão ser retirados a partir das 19h30, na bilheteria do Cine Humberto Mauro, mas sujeito a lotação dos espaços.

Unindo tambores melodias e rimas, o projeto Bala da Palavra propõe um mergulho na alma da música popular brasileira. O show traz releituras de grandes mestres da MPB como João Bosco, Chico Buarque, Milton Nascimento, Clementina de Jesus, Caetano Veloso, Marku Ribas, entre outros. Entre o rap, o baião, o ijexá, o reggae, o maracatu e o jongo, a magia das canções se desenrola tocando forte no público.

SERVIÇO

20º FESTCURTASBH

Data: 10 a 19 de agosto

Local: Palácio das Artes – Av. Afonso Pena, 1537 – Centro, Belo Horizonte / MG

Programação e Informações: http://festivaldecurtasbh.com.br.

A entrada é gratuita, com distribuição de ingressos 30 minutos antes de cada sessão.

Data

10/08/18

Custo

GRATUITO

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