“DUAS RAINHAS” E A LUTA DE DUAS MULHERES PARA SOBREVIVER EM UM MUNDO MASCULINO

“DUAS RAINHAS” E A LUTA DE DUAS MULHERES PARA SOBREVIVER EM UM MUNDO MASCULINO

O espectador desavisado pode querer ir ao cinema para assistir a “Duas Rainhas” na ânsia de encontrar um novo “A Favorita”, filme de Yorgos Lanthimos que deu o Oscar de Melhor Atriz para Olivia Colman. Nada a ver, porém tudo a ver. Ou quase.

As semelhanças entre o filme de Lanthimos e este, de Josie Rourke, terminam no fato de os dois retratarem rainhas da Inglaterra. Se no filme de Lanthimos tínhamos a Rainha Anne, em meio a uma crise com a França e lidando com suas doenças e sua incapacidade de reinar, aqui temos a Rainha Elizabeth I lutando contra a necessidade de pensar no futuro enquanto enfrenta uma inimiga bem mais contundente: a escocesa Mary Stuart, sua prima e possível herdeira do trono da própria Inglaterra.

“Duas Rainhas” é sobretudo um filme de, sobre e para mulheres. Mulheres que precisam sobreviver em um mundo dominado por homens, que só querem vê-las pelas costas. Numa era em que as mulheres não haviam conquistado nem um quinto do que tem hoje, era preciso procriar e enfrentar seus próprios inimigos internos para que conseguissem manter suas condições. Como se não bastasse, era preciso enfrentar o mundo masculino que não dava chances às soberanas para que elas demonstrassem suas competências ao ocupar seus respectivos tronos.

Assim, vemos Mary Stuart lutando contra sua própria família e sendo bombardeada com propostas incessantes de pretendentes ao trono e, consequentemente, ao “cargo” de seu esposo. Do outro lado, vemos uma Elizabeth certa de que não precisa se casar nem procriar para manter seu reinado, mas dividida pela possibilidade de ter que entregar seu país para uma escocesa.

Em paralelo, a trama de “Duas Rainhas” se desenrola e nos conduz a uma simpatia extrema pelas duas soberanas do título. É impossível não ficar do lado das duas, principalmente das duas juntas, quando o tão esperado encontro entre elas (que, segundo os livros de história, não aconteceu) acontece, em uma bela e tensa cena, que mostra o quanto era necessário.

Por fim, louve-se a performance de Saorsie Ronan e Margot Robbie. A primeira imprime uma energia ímpar à personagem, nos mostrando que é preciso ter muita energia para lutar contra todos estes inimigos. Já a segunda aparece irreconhecível, escondida sob uma pesada maquiagem, já que sua personagem havia ficado deformada em função do sarampo contraído anteriormente. Se é necessário que uma atriz nos convença se seu papel e das intenções de suas personagens, Ronan e Robbie o fazem com maestria.

“Duas Rainhas” é, enfim, um filme para ser visto com a história na cabeça e para se deixar levar por ela. Sem nunca esquecer das intenções das duas soberanas e de se apaixonar não só por elas, mas por suas idéias e intenções.

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