A “BANDA INSTALAÇÃO” DE DAVID BYRNE, EM BH

A “BANDA INSTALAÇÃO” DE DAVID BYRNE, EM BH

Uma “banda instalação” que poderia estar em uma arena de shows, a exemplo de ontem, ou em qualquer teatro, praça pública, museu de arte moderna. O show do David Byrne merece o clichê “foi uma experiência”. Poucos merecem. Dos que me lembro, posso citar, além deste, os do Radiohead, Spiritualized, Kraftwerk, Mogwai, Atari Teenage Riot, Sigur Rós e o da PJ Harvey, no ano passado.

Aliás, pela forma como os músicos de Mr. Byrne se apresentam, totalmente fora do convencional, sem ponto fixo, no palco, lembra muito o show da mais recente turnê da PJ. A diferença brutal é que, enquanto o dela segue a linha de um cortejo fúnebre, o dele é uma versão “carnival” da “banda instalação”.

O repertório foi desde clássicos dos Talking Heads – sem alcançar “Wild, wild life” e “Psycho Killer” (e eu tenho certeza de que alguns estavam ali pra curtir ao vivo a “Satisfaction” dos Talking Heads”), mas passando por “I Zimbra”, “Once  in a Liferime”, “Burning Down the House”, entre outras, além de “I Should Watch”(parceria com St. Vincent) e das músicas de “American Utopia”, o novo disco de estúdio de David Byrne.

Ele encerrou com “Hell You Talmbout” da Janelle Monae – praticamente uma batida tribal, mas pontuada com os nomes de várias vítimas de violência e injustiças sociais. Repetindo o que fizeram, no Rio de Janeiro, em voz alta, citaram, dentre outros, Jorge Matias, Amarildo e Marielle Franco. O nome dela acalorado pelas duas mulheres da banda – a guitarrista e a backing vocals e dançarina.

O show de Beagá encerrou o giro de 5 datas (Curitiba, São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e BH) do músico pelo Brasil. Quem esteve no Lollapalooza, no último fim de semana, e também no da capital mineira, garante que não tem nem comparação – “o de BH foi muito melhor”, como disse Rodrigo James, meu comparsa de Esquema Novo e “talking head fã nº1” de Byrne. Em São Paulo, não teve a faixa-protesto da Janelle Monae e boa parte da performance aconteceu durante o dia, o que corta boa parte do seu impacto visual. Outra felicidade foi receber, em solo brasileiro, uma apresentação tão fresca. A American Utopia Tour começou, no início do mês, no Count Basie Theatre, em New Jersey. Um espetáculo audiovisual de música e dança, fortemente apoiado em uma parede percussiva, com destaque para três músicos brasileiros(Gustavo Leite, Davi Vieira e Mauro Refosco), entre os 11 que fazem parte da grande banda de apoio de Mr. Byrne.

Nos pequenos intervalos, dava até pra lembrar que o que estava acontecendo diante dos nossos olhos era um show de música pop. E, no final, quando as luzes foram acesas e os sorrisos de mais e mais amigos, revelados, percebi que tinha rolado mesmo tudo aquilo num ginásio (de vantagens hall).

Um desbunde, David Byrne. Ou como escreveu outro amigo, um esculacho!

por Terence Machado

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